Be my guide

Susana Romão
14/05/2017-5/06/2017

Be My Guide fez parte de uma outra narrativa visual, Vento Sul: quente e formador de nuvens. Esta gravura, de 2010, foi realizada em estúdio na cidade californiana de S. Francisco, (E.U.A.). Existia a vontade de converter este fragmento narrativo em algo singular.

Necessidade deste regresso do fazer, retrabalhar e transformá-lo em peça solitária.

Be My Guide é uma reapropriação do meu trabalho, uma investigação à qual faz sentido voltar no presente, aumentar a escala e a importância do conteúdo. Nesta peça existem três atores principais. Dois seres inclinam o olhar repetidamente entre o céu e a terra. Um está em destaque, mais central, outro vive seccionado pela metade, e do alto desce um outro; só lhe vemos os pés. Tudo paira na cena, nada está fixo, existe flutuação, suspensão. Como que num momentâneo filtrar particular da nossa contemporaneidade há reflexão sobre inúmeros assuntos de paixão atual. Indaga-se aqui uma era frenética de coaching e situações envolventes que nos inundam e bombardeiam o quotidiano.

Meio em jeito de prece, meio em jeito de deslumbre fortalecido, a personagem principal, andrógena e dramática, encarna a condição global. Busca e rebusca, procura ao redor. Entre dúvidas e certezas, avanços e recuos, assiste à vida dos outros e à sua. Em voz silenciada pede um guia, um ajudador que o conduza. Lê-se no canto superior esquerdo Be My Guide. Agora convertida em peça ampliada, na Porta 11 da Travessa da Ermida, respira em destaque num palco só seu.

Biografia

Susana Romão (1980) trabalha como artista visual, tendo como matérias primordiais o metal e o papel. Desde 2005 mantém uma atividade artística regular, participando em diversos projetos ligados ao livro de artista, ao universo do desenho e às variadas técnicas de impressão e fotografia. A multidisciplinaridade interessa-lhe como investigação. Com gravuras editadas pelo Centro Português de Serigrafia, integra o núcleo de artistas com obra gráfica desta casa. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2005) tendo vindo a participar em residências e formações artísticas, como é exemplo a realizada no coletivo Graphic Arts Workshop (São Francisco, E.U.A. 2010), ou ainda, a associada ao 34th Internacional Cultural Festival of Asilah  (Marrocos, 2012). É membro da direção da Contraprova – Atelier de Gravura, fazendo parte do serviço educativo deste estúdio. Desde 2013, e presentemente, é também formadora na APPDA – Lisboa (Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo) no projeto Oficinas Funcionais.  Os seus últimos trabalhos estiveram presentes ao público em 2016, na Biblioteca Municipal do Barreiro integrados na exposição internacional de gravura Hidro-Gráficas com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian; assim como no projeto Sardinhas do Povo, no Museu Bordalo Pinheiro.

A Porta 11 da Travessa da Ermida
Curadoria: Madalena éme

A Porta 11 da Travessa da Ermida é uma iniciativa que se propõe a ser um dispositivo para a contemplação de Arte 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Longe do caos e do consumo rápido e leviano de cultura, esta iniciativa, inserida no 11 da Travessa do Marta Pinto, procura interferir com quem se move e experiência uma pequena travessa em Belém.

O projecto pretende oferecer a contemplação de obras de arte sem a restrição horária, ao mesmo tempo que propõe aos artistas o desafio de explorar um espaço aparentemente bidimensional. Este novo “elemento público” procura, através da apropriação mensal de cada artista, abranger múltiplas áreas nas Artes como: Pintura, Escultura, Instalação, Ilustração, Graffiti, Vídeo, Fotografia e Desenho.





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